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terça-feira, 28 de março de 2017

Elle - Cláudia Campos


Livro com o autografo da escritora datado de 1899.

 Cláudia de Campos estreou-se em termos literários com um volume de pequenos contos intitulado "Rindo...". Seguiram-se "O Último Amor", "Mulheres", "A Esfinge", "A Baronesa de Staël", "O Duque de Palmela" e o polémico "Ele" ("Elle", na grafia da altura).

A polémica de "Ele" fundamenta-se no facto de o livro tratar locais e personagens que não eram mais dos que os sítios e as pessoas com as quais a autora conviveu em Sines, ainda que lhes tenha atribuído diferentes nomes.

Presume-se que o seu personagem Luís Guedes é Francisco António de Campos, pai da autora; Cléo, é a própria escritora; Frantze é Frank Pidwell; Vasques Bruto é António Arsénio de Campos; José Paulino é João Caetano; Leonor Vasques é Isabel Pidwell; Pulquéria é a mulher de António Arsénio de Campos; Padre Mateus é o Padre Maia, assim como as Pedras Negras são o Pontal da Praia de Sines. O dr. Macedo era, segundo o historiador Arnaldo Soledade, Francisco Luís Lopes, autor de "Breve Notícia de Sines".



 A escritora Cláudia de Campos é uma das figuras mais "sui generis" de Sines.

Entre Sines e a alta sociedade lisboeta

Nascida a 28 de janeiro de 1859, filha de Maria Augusta Palma de Campos e de Francisco António de Campos, tem por padrinho de batismo seu avô, Guarda-Mor de Saúde do Porto de Sines, Jacinto José Palma.

Casa em 1875 com Joaquim D’Ornelas e Matos. Ela tem apenas 16 anos e ele 19. O Barão de S. Pedro, José Ribeiro da Cunha, é testemunha de casamento.

Em jovem frequentou o Colégio de Mrs. Kutle, na Rua do Alecrim, em Lisboa. Privou com a mais alta sociedade lisboeta da altura, frequentando a Academia de Ciências de Lisboa e os Salões Literários do Casino.

"Cláudia de Campos era uma mulher feliz, alegre e linda", afirma Maria Amália Vaz de Carvalho no seu diário.

Para além do seu lado de escritora, foi uma intelectual inovadora, ensaísta da condição da mulher.

Escreveu um "Ensaio de Psicologia Feminina", onde analisa Charlotte Brontë, Condessa de Lafayette, Baronesa de Staël, Josephine de Neuville, Rainha da Roménia. Estudou também Edward Thomas, Gibson, Masefield e outros.

Texto: http://www.sines.pt/frontoffice/pages/719
Exposição sobre a escritora no Centro de Artes de Sines patente até ao dia 02 de Abril.

sábado, 25 de março de 2017

Viagem a Itália de Johann Wolfgang Goethe


Viagem a Itália de Johann Wolfgang Goethe um livro que é a grande via de acesso e o ponto de chegada para toda a reflexão sobre arte, a história e a natureza.


 O poeta chegou à Itália em 1786 e, cerca de três meses depois, escreveu a um amigo: "Pareço a mim mesmo uma pessoa totalmente diferente. Ontem pensei comigo: 'Ou você era louco antes ou tornou-se agora' ". De coração aberto, o viajante acolhe tudo o que vê e sente: a cor e o aroma das frutas, o rosto de homens e mulheres, o burburinho das ruas, as obras da Antiguidade, a arquitectura renascentista. Em Viagem à Itália estão presentes a actualidade, a beleza e a alegria que os grandes poetas conseguem imprimir às suas obras.


Obra escrita a partir dos diários de Goethe, Viagem a Itália é, como o próprio nome indica, uma descrição da viagem que o autor empreendeu a Itália, entre 1786 e 1788, e que constituiu uma peça marcante no seu percurso estético e filosófico. "Quando, em 3 de Setembro de 1786, Goethe não regressa das termas de Karlsbad a Weimar, mas, em vez disso, parte em segredo e incógnito para Itália, está apenas a levar à prática uma decisão pessoal adiada e um imperativo cultural de que nenhum homem de letras, intelectual ou artista pode prescindir a partir de meados do século XVIII. A Itália tornara-se, para a aristocracia já desde o século XVIII, e para a burguesia culta no seguinte, no objectivo último e incontornável do grand tour europeu". A Itália, para Goethe, simbolizava o sul quente e apaixonado, por oposição a um norte frio e cauteloso, um lugar onde o passado clássico, embora devastado, se mantinha vivo numa sequência de espaços e num inventário de símbolos e de hábitos para os quais procurou significado, redescobrindo-se nas interpretações que foi criando no seu percurso.

 Gravura - Advogado com Polichinelo

O estudo sobre O Carnaval Romano foi escrito por Goethe em 1788 e publicado em Maio de 1789 (por J.F.Unger, em Berlim), acompanhado de vinte gravuras coloridas, que estão reproduzidas no final do livro. Os desenhos são de Johann Georg Schütz, e as gravuras foram executadas e coloridas por Georg Melchior Kraus e seus discípulos.

Par de mendigos e quacquero

Polichinelo cornudo, mágico e qucqueri

 Fantasma, figuras com colchas e lençóis, tabarro, Polichinelo

 Pescador e mulher de Frascati, crianças tentando apanhar guloseimas

 Par castelhano (máscaras teatrais)

 Divindades egípcias (máscara de leão e Hathor?)

 Sacerdotisas gregas

 Vestais



 Um cônsul
Johann Wolfgang von Goethe (Frankfurt am Main, 28 de Agosto de 1749 — Weimar, 22 de Março de 1832) foi um autor e estadista alemão que também fez incursões pelo campo da ciência natural. Como escritor, Goethe foi uma das mais importantes figuras da literatura alemã e do Romantismo europeu, nos finais do século XVIII e inícios do século XIX. Juntamente com Friedrich Schiller, foi um dos líderes do movimento literário romântico alemão Sturm und Drang.

domingo, 19 de março de 2017

Bússola de Mathias Enard


 Bússola, um fabuloso relato literário sobre a influência do Oriente na cultura do Ocidente de autoria de Mathias Enard, romance que lhe valeu em 2015 o Prémio Goncourt. 



 SINOPSE

A noite desce sobre Viena e sobre o apartamento onde Franz Ritter, musicólogo fascinado pelo Oriente, procura em vão o sono. Oscilando entre sonhos e recordações, melancolia e febre, nesta noite de insónia Franz revisita a sua vida, os seus entusiasmos, encontros e as numerosas estadias longe da Áustria - Istambul, Alepo, Damasco, Palmira, Teerão... -, mas questiona também o seu amor impossível pela exemplar e inalcançável Sarah, especialista da atração fatal que esse Grande Levante exerce sobre aventureiros, académicos, artistas e viajantes ocidentais.

Assim se dá a conhecer um mundo de exploradores das artes e da sua história, de orientalistas modernos animados pelo puro desejo de combinações e descobertas que a atualidade contemporânea vem esbofetear. E o eco trágico desse impulso febril quebrado ressoa na alma ferida das personagens da mesma forma que atravessa o livro.

Romance noturno, envolvente e musical, de erudição generosa e humor agridoce, Bússola é uma viagem e uma declaração de deslumbramento, uma busca do outro em nós e uma mão que se estende - como uma ponte erguida entre o Ocidente e o Oriente, entre ontem e amanhã, alicerçada num inventário amoroso de séculos de fascínio, de influências e de vestígios sensíveis e persistentes, que tenta mitigar os fogos do presente.



".....a música é um belo refúgio contra a imperfeição do mundo e a decadência do corpo"

Não podia estar mais de acordo.

sexta-feira, 10 de março de 2017

A Desumanização - Valter Hugo Mãe


Dedicatória e autografo do Valter Hugo Mãe no livro A Desumanização.


SINOPSE

«Mais tarde, também eu arrancarei o coração do peito para o secar como um trapo e usar limpando apenas as coisas mais estúpidas.»

Passado nos recônditos fiordes islandeses, este romance é a voz de uma menina diferente que nos conta o que sobra depois de perder a irmã gémea. Um livro de profunda delicadeza em que a disciplina da tristeza não impede uma certa redenção e o permanente assombro da beleza.

O livro mais plástico de Valter Hugo Mãe. Um livro de ver. Uma utopia de purificar a experiência difícil e maravilhosa de se estar vivo.


A Desumanização com belíssimas imagens introdutórias de Cristina Varandas, cujo sentido, simultaneamente lírico e monstruoso, reenvia com perfeição para o conteúdo do romance.








segunda-feira, 6 de março de 2017

Permanências e Errâncias no Japão - Wenceslau de Moraes


Livro de grande beleza  de dimensões pouco usuais 39 x 29 de 144 páginas a Capa  é forrada a tecido com sobrecapa.
Uma edição da Fundação Oriente, 2004.

Obra constituída por 400 postais inéditos enviados por Wenceslau de Moraes a Francisca Paul, sua irmã mais nova. É também um registo das Viagens de Wenceslau de Moraes ao Japão, designadamente pelas cidades de Kobe, Tokushima, Locoama, Nara, Quioto, Osaka e Tóquio, entre outras.


Série de postais "O Quotidiano"
1- Wenceslau de Moraes, em 1911, no seu gabinete consular.
2- O Governo Civil de Kobe onde o escritor se deslocava em serviço oficial.
3- Produtos portugueses na exposição de Osaka (1903)
4- Menina pintando-se ao espelho, colagem feita por Wenceslau de Moraes.
1- "No 2º andar da casa à tua esquerda foi onde eu almoçei no Domingo; e lá ao lado o formidável elevador por onde eu subi"
2- Templo de Isé.
3- Motivos japoneses que ilustram o seu artigo " A Mulher Japonesa" publicado no Comércio do Porto Ilustrado (Natal 1912).
4- Parque de Maruyama em Quioto, que apresentava uma árvore monumental.
 1- Templo perto de Quioto, "muito bonito, com os seus tori encarnados a destacarem-se sobre a verdura e suas raposas de pedra".
2- Templo nos arredores de Kobe: " Fiz as minhas orações, atravessei a ponte, fui palestrar com uma velha do sitio, muito minha amiga, que me deu chá e bolos".
3- O Parque de Minomo.
4- Panorâmica de Arima. 
1- O universo escolar infantil
4- "Mando-te estes meninos, a imitarem uma cena de lutadores".
1- Vista de Arima.
2- Vista de Arima
3- Vista de Hakone
1- Nagaoka
2- "A cidade de Osaka, que fica a uma hora de viagem de Kobe, é cheia de movimento e excessivamente comercial".
3- Aspectos de Osaka.
1- Pedra tumular situada em Ritsuzan Chiba.
2- Vista de Tajima.
3- Tajima. No verso "Esta vista é uma lembrança do meu passeio, representa uma aldeia de pescadores, que nada diz em gravura. Mas vista lá por dentro é linda, interessantíssima, nunca vi nada assim.
4- Rio de Yoshino, perto de Ikeda.


Série de postais "A Cultura"
 Postais artísticos.
 Série de postais a ser visualizado num caleidoscópio.
 Postais artísticos.
 Postais artísticos.
 Postais alusivos ao Ano do Rato (1912).
 Postais evocativos do Ano do Boi (1913).
 Postais alusivos ao Ano do Dragão (1916).
1- Jardim de Ginkakuji, em Quioto.
2- Parque de Suma.
3- Parque de Locoama.
4- Nenúfares no lago Shinobazu, Tóquio.
1- Travessia de um rio.
2- "Recomeçou a mania dos banhos, todos os dias se enchem as praias de gente".
3- Nikko.
1- Convívio em Awa, Tokushima.
2- Gueixa incentivando o convívio.
3- Suma, perto de Kobe.
4- Lazer, quotidiano e religião.

Estes são alguns dos magníficos 400 postais do livro que Wenceslau Moraes enviou à irmã e que felizmente foram preservados e posto em livro para nosso prazer.

quinta-feira, 2 de março de 2017

1Q84 de Haruki Murakami



Um mundo aparentemente normal, duas personagens - Aomame, uma mulher independente, professora de artes marciais, e Tengo, professor de matemática - que não são o que aparentam e ambos se dão conta de ligeiros desajustamentos à sua volta, que os conduzirão fatalmente a um destino comum. Um universo romanesco dissecado com precisão orwelliana, em que se cruzam histórias inesquecíveis e personagens cativantes.
Em 1Q84, Haruki Murakami constrói um universo romanesco em que se cruzam histórias inesquecíveis e personagens cativantes. Onde acaba o Japão e começa o admirável mundo novo em que vivemos? Uma ficção que ilumina de forma transversal a aldeia global em que vivemos.


Não se deixe iludir pelas aparências

"Ano de 1984, com eu o conhecia, já não existe. Estamos em 1Q84. A atmosfera mudou, mudou a paisagem. Tenho de me adaptar quanto antes e este mundo-com-um-ponto-de-interrogação. Tal como acontece com os animais, quando os deixam em liberdade, numa floresta desconhecida. Para minha salvaguarda, para continuar viva, devo aprender as regras deste lugar, o mais depressa possível, e adaptar-me a elas".


 "Uma nova cara e uma nova vida que, em principio, a esperam. Era tempo de férias, e as pessoas começavam a preparar-se para fugir.(...) Na cidade inteira reinava uma certa tranquilidade. Por vezes, ela tinha a impressão de estar a perder o norte. «Será isto real?», interrogava-se. Se não era a verdadeira realidade, não fazia ideia de onde poderia encontrá-la. Não tinha outro remédio senão aceitar que aquela era a única realidade existente a fazer os possíveis por enfrentá-la com todas as suas forças. «Não tenho medo de morrer», voltou a convencer-se Aomame. «O que temo é ser enganada pela realidade, ser abandonada pela realidade".


O Livro 3 revela o estilo forte e truculento de uma personagem única, Ushikawa de seu nome. A par de Tengo e Aomame, a voz da Ushikawa ecoa nas páginas do terceiro volume de 1Q84 e provoca as reações mais intensas. Amem-no ou detestem-no, mas deixem-no entregue à sua sorte. Tengo e Aomame continuam sem saber, mas aquele é o único lugar perfeito no mundo. Um lugar perfeitamente isolado e, ao mesmo tempo, o único que escapa às malhas da solidão. Este mundo também deverá ter as suas ameaças, os seus perigos, claro, e estar cheio dos seus próprios enigmas e de contradições. Mas não faz mal. A páginas tantas, é preciso acreditar. Sob as duas luas de 1Q84, Aomame e Tengo deixam de estar sozinhos... Inspirado em parte no romance 1984, de George Orwell, 1Q84 é uma surpreendente obra de ficção, escrita de forma poderosa e imaginativa - a um tempo um thriller e uma tocante história de amor. Murakami continua a provocar o espanto e a emoção, comunicando com milhões de pessoas de todas as idades, espalhadas pelo mundo inteiro. 


"Talvez não seja desejável que nos tornemos a ver. Tengo tinha os olhos fixos no tecto. Não seria melhor continuarmos separados até ao fim, mantendo sempre a esperança de nos encontrarmos? Viveríamos sempre com essa ilusão. A esperança seria uma pequena mas vital chama que nos aqueceria até ao mais profundo de nós mesmos. Uma pequena chama que protegeríamos do vento com as mãos, uma chama que as duras ventanias da realidade facilmente apagaria".  



Como achei apropriado e estava de acordo, os textos foram retirados da Wook e da contracapa dos livros.
 Depois de ter lido o Norwegian Wood do mesmo autor esperava um pouco mais desta trilogia.
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