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domingo, 10 de março de 2019

A Criação do Mundo

 PREFÁCIO DO AUTOR 

 Querido Leitor: 

Vais ler de uma assentada, se a macicez do texto te não desanimar a curiosidade, os seis dias desta Criação do Mundo, que foram aparecendo nas montras separadamente, à medida que iam decorrendo. Livro temerariamente concebido na mocidade, imprevisível na trama e no rumo, só o tempo lhe podia dar corpo e remate, traçando-lhe o enredo e marcando-lhe a duração. O que acabou por acontecer, já que os fados, condoídos da cegueira do projecto, não quiseram calar, antes de ele ser levado a cabo, a voz do autor.

Todos nós criamos o mundo à nossa medida. O mundo longo dos longevos e curto dos que partem prematuramente. O mundo simples dos simples e o complexo dos complicados. Criamo-lo na consciência, dando a cada acidente, facto ou comportamento a significação intelectual ou afectiva que a nossa mente ou a nossa sensibilidade consentem. E o certo é que há tantos mundos como criaturas. Luminosos uns, brumosos outros, e todos singulares. O meu tinha de ser como é, uma torrente de emoções, volições, paixões e intelecções a correr desde a infância à velhice no chão duro de uma realidade proteica, convulsionada por guerras, catástrofes, tiranias e abominações, e também rica de mil potencialidades, que ficará na História como paradigma do mais infausto e nefasto que a humanidade conheceu, a par do mais promissor. Mundo de contrastes, lírico e atormentado, de ascensões e quedas, onde a esperança, apesar de sucessivamente desiludida, deu sempre um ar da sua graça, e que não trocaria por nenhum outro, se tivesse de escolher. Plasmado finalmente em prosa — crónica, romance, memorial, testamento —, tu dirás, depois da última página voltada, se valeu a pena ser visitado. Por mim, fiz o que pude. Homem de palavras, testemunhei com elas a imagem demorada de uma tenaz, paciente e dolorosa construção reflexiva frita com o material candente da própria vida.

 Coimbra, Julho de 1984

  Miguel Torga

Um romance autobiográfico que se lê muito bem apesar das suas 560 páginas e que para mim foi uma agradável surpresa, aconselho vivamente a sua leitura.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Leituras 2018

Mais um ano passou com algumas boas leituras, aqui deixo a minha lista de livros que ao longo do ano de 2018 fui lendo, alguns foram releituras como foi o caso de alguns livros do Eça de Queiroz e do Miguel Torga.

01 - A Livraria dos Destinos - Veronica Henry
02 - Os Loucos da Rua Mazur - João Pinto Coelho
03 - Um Mundo Sem Fim Vol 1 - Ken Follett
04 - Um Mundo Sem Fim Vol 2 - Ken Follett
05 - Uma Coluna de Fogo - Ken Follett
06 - Madame Bovary - Gustave Flaubert
07 - O Que Fazer? - Nicolai Tchernichevski
08 - Coração Mais Que Perfeito - Sérgio Godinho
09 - Ensina-me a Voar Sobre os Telhados - João Tordo
10 - O Senhor Ventura - Miguel Torga
11 - A Última Fronteira - Rui Canas
12 - Uma Fortuna Perigosa - Ken Follett
13 - Criação do Mundo - Miguel Torga
14 - Contos da Montanha - Miguel Torga
15 - Novos Contos da Montanha - Miguel Torga
16 - Da Família - Valério Romão
17 - Autismo - Valério Romão
18 - Cair para Dentro - Valério Romão
19 - O Crime do Padre Amaro - Eça de Queiroz
20 - Contos - Eça de Queiroz
21 - A Correspondência de Fradique Mendes - Eça de Queiroz
22 - O Conde de Abranhos - Eça de Queiroz
23 - As Minas de Salomão - Eça de Queiroz
24 - Jogos Perigosos - Rodrigo Guedes de Carvalho
25 - A Casa Quieta - Rodrigo Guedes de Carvalho
26 - Nome de Código Leopardo - Ken Follett
27 - A Contagem Descrente - Ken Follett
28 - Ilusões Perdidas - Balzac
29 - Todos os Dias são Meus - Ana Saragosa
30 - Se esta Rua Falasse - James Baldwin
31 - A Tragédia da Rua das Flores - Eça de Queiroz
32 - Cartas de Casanova - António Mega Ferreira
33 - A Nossa Alegria Chegou - Alexandra Lucas Coelho
34 - Os Irmãos Karamázov Vol 1 - Dostoievski
35 - A Boneca de Kokoschka - Afonso Cruz
36 - Os Irmãos Karamázov Vol 2 - Dostoievski

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

O Senhor Ventura de Miguel Torga


«E que história a sua! – pícara, ingénua, maliciosa, safada, trágica, ao fim, porque em tragédia sempre morrem os mitos. [...] E, no entanto, que mais português que o Ventura, na sua peregrinação, entre mortos e feridos, miséria e grandeza, amores e traições, fomes e febres, e alegrias – entre o Oriente, Tatiana e Penedono?
[...]
Pode finalmente dizer-se que jamais um mito tão bem baptizado foi, em nome assim e fatalmente português.»   
José-Augusto França

Livro oferecido pelos meus filhos que já o li e aconselho vivamente a sua leitura.

domingo, 18 de novembro de 2018

Todos os Dias São Meus de Ana Saragoça

Autografo e dedicatória da Ana Saragoça.
"Para o Francisco, desejando que todos os dias sejam seus"
SINOPSE
Um prédio. Uma morte. Um mistério.Não se trata, porém, de um romance de pretexto policial. É verdade que há polícias e testemunhas - sobretudo testemunhas - e alguns suspeitos. Mas Todos os Dias são Meus é um extraordinário retrato do Portugal profundo, com os seus tiques, os seus ressentimentos, os seus ridículos.

sábado, 6 de outubro de 2018

Valério Romão - Cair para dentro

Dedicatória e autografo do escritor Valério Romão. 
SINOPSE
Cair para Dentro narra a história de duas mulheres, Virgínia e Eugénia, unidas pela relação mãe-filha.

Eugénia, a filha, não foi educada para ser um adulto independente e, embora seja professora universitária, a mãe controla o seu dinheiro, o seu tempo, proibindo-a até de ter telemóvel. Quando Virgínia começa a desenvolver sintomas de demência, Eugénia vê-se obrigada, deixando aquela infância artificial construída pela sua mãe, a crescer e a cuidar de todos os aspectos práticos da vida de ambas. Até descobrir que, no estado em que a mãe se encontra, a vingança é uma possibilidade. 

Cair para Dentro explora até ao limite as dificuldades das relações humanas e os dilemas morais que delas decorrem.


A apresentação do livro com o autor o Valério Romão acompanhado do livreiro Joaquim Gonçalves da livraria A das Artes em Sines.



Ensina-me a voar sobre os telhados

SINOPSE
Japão 1917. Por desonrar o nome da família, o jovem Katsuro é exilado pelo seu próprio pai, um poderoso governador, num ilhéu inóspito. Abandonado, o rapaz irá deparar-se, pela primeira vez, com o terrível segredo da família Tsukuda, enquanto luta para sobreviver à fome, à sede e à culpa.

Lisboa, cem anos depois. No Liceu Camões, um dos mais antigos da cidade, um professor de Geografia suicida-se numa sala de aula. O nosso narrador, funcionário do liceu e alcoólico em recuperação, decide inaugurar uma reunião semanal para ajudar os colegas a superar o choque. Numa noite de Inverno, um misterioso desconhecido aparece no encontro. É japonês e chama-se Tsukuda. O seu estranho comportamento desperta no narrador um fascínio doentio. Ambos são perseguidos pelo passado, ambos desejam o impossível.

Algures entre o sonho e a mais pura realidade, Ensina-me a voar sobre os telhados é um lugar onde um pai e um filho aprendem a amar-se,é um espaço onde se procura aceitar dores antigas e abraçar a fragilidade humana. Um romance que é uma elegia à beleza imperfeita da vida.

Um livro que aconselho vivamente.

domingo, 16 de setembro de 2018

Coração mais que Perfeito de Sérgio Godinho

Autografo e dedicatória dado à Idalisa pelo Sérgio Godinho.
Coração mais que Perfeito é o título do primeiro romance de Sérgio Godinho e conta a história de Eugénia, “de quem se recorda o destino inverosímil, os desaires e os momentos de felicidade, a infinita capacidade de se reerguer e de continuar a viver”.
É uma narrativa que percorre os temas que Sérgio Godinho sempre cantou. Vitórias e derrotas, amor, sexo, família, livros e palcos. Como as vidas se entrelaçam, se encontram e se perdem.
Esta é a história de Eugénia, de quem se recorda o destino inverosímil, os desaires e os momentos de felicidade, a infinita capacidade de se reerguer e de continuar a viver em Portugal e em França, na adolescência e na idade adulta, na desilusão e na alegria (e na sua relação com os livros e com o sexo). É também a história de Artur, uma espécie de funâmbulo que atravessa (quase) todos os abismos. E a de todas as personagens que vivem em trânsito do passado para o presente, ao longo de uma história de amor invulgar e de desenlace inesperado.
Uma história torneada, daquelas com que os humanos tentam fazer compreender a sua espécie às constelações mais longínquas. Trívia, artes musicais e pictóricas, ruídos tirados da natureza, de riachos, uma obra-prima da leitura em várias línguas, objectos do dia-a-dia, um bilhete para uma viagem romântica a dois, telemóveis com carregador, um saca-rolhas, e um preservativo, talvez o artefacto mais intrigante para qualquer extraterrestre.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Jogos de Raiva - Rodrigo Guedes de Carvalho

Dedicatória e autografo do escritor Rodrigo Guedes de Carvalho no livro Jogos de Raiva a sua última obra.  
SINOPSE
Um homem levanta a voz acima da algazarra de conversas. E pede que ponham mais alto o som do televisor do restaurante. É então que todos reparam no que ele vê. Não percebem ou não acreditam. E na rua, no bairro, na cidade, no país, homens, mulheres e crianças vão-se calando. Está por todo o lado, a imagem horrível e hipnotizante. O homem que pediu silêncio leva as mãos à cara e pensa: como chegámos aqui?

A era da comunicação global trouxe inimagináveis maravilhas. Partilhas imediatas de ensinamentos, denúncias e solidariedades. Mas permitiu também que saísse das cavernas uma realidade abjecta. Insultos, ameaças, ironias maldosas. Nunca, como hoje, a semente do ódio foi tão espalhada. 

É sobre este pano de fundo que se conta a história de uma família. Três gerações a olhar para um futuro embriagado num estado de guerra. Uma família que esconde, enquanto puder, um segredo. 
Jogos de Raiva traça duros retratos sem filtro sobre medos e remorsos, sobre o racismo, a depressão, a sexualidade, o jornalismo, a adopção, a arte e a amizade. E o poder das histórias. 
É sobre a urgência da confiança, da identidade e do amor. 

É um livro sobre todos nós, à deriva num novo mundo

O escritor Rodrigo Guedes de Carvalho na apresentação do seu último livro no Centro de Artes em Sines na companhia do livreiro Joaquim Gonçalves da livraria A das Artes em Sines.





Ora aqui estou eu  na sessão de autógrafos e ainda deu para trocar umas "chalaças" com o bem disposto Rodrigo Guedes de Carvalho.

Marcador de Livros - Rodrigo Guedes de Carvalho


Marcador de livros  com algum dos livros do Rodrigo Guedes de Carvalho.

Rodrigo Guedes de Carvalho nasceu em 1963, no Porto.

Recebeu o Prémio Especial do Júri do Festival Internacional FIGRA, em França, com uma Grande Reportagem sobre urgências hospitalares (1997).

Estreou-se na ficção com o romance Daqui a nada (1992) vencedor do Prémio Jovens Talentos da ONU. 
Seguiram-se-lhe A Casa Quieta (2005), Mulher em Branco (2006) e Canário (2007). 

Elogiado pela crítica, foi considerado uma das vozes mais importantes da nova literatura portuguesa. 

É ainda autor dos argumentos cinematográficos de Coisa Ruim (2006) e Entre os Dedos (2009), e da peça de teatro Os pés no arame (estreada em 2002, com nova encenação em 2016).

Regressa ao romance com O Pianista de Hotel (2017).

Marcador - Ensina-me a voar sobre os telhados


Marcador  do livro Ensina-me a voar sobre os telhados do João Tordo da editora Companhia das Letras.

SINOPSE DO LIVRO

1917. Por desonrar o nome da família, o jovem Katsuro é exilado pelo seu próprio pai, um poderoso governador, num ilhéu inóspito. Abandonado, o rapaz irá deparar-se, pela primeira vez, com o terrível segredo da família Tsukuda, enquanto luta para sobreviver à fome, à sede e à culpa.

Lisboa, cem anos depois. No Liceu Camões, um dos mais antigos da cidade, um professor de Geografia suicida-se numa sala de aula. O nosso narrador, funcionário do liceu e alcoólico em recuperação, decide inaugurar uma reunião semanal para ajudar os colegas a superar o choque. Numa noite de Inverno, um misterioso desconhecido aparece no encontro. É japonês e chama-se Tsukuda. O seu estranho comportamento desperta no narrador um fascínio doentio. Ambos são perseguidos pelo passado, ambos desejam o impossível.


Algures entre o sonho e a mais pura realidade, Ensina-me a voar sobre os telhados é um lugar onde um pai e um filho aprendem a amar-se,é um espaço onde se procura aceitar dores antigas e abraçar a fragilidade humana. Um romance que é uma elegia à beleza imperfeita da vida.

Marcador de Livros - Miguel Torga


Marcador de livros  com algum dos livros do escritor Miguel Torga.


Miguel Torga pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha, autor de uma produção literária vasta e variada, largamente reconhecida. Nasceu em S. Martinho de Anta em 1907. Depois de uma experiência de emigração no Brasil durante a adolescência, cursou Medicina em Coimbra, onde passou a viver e onde veio a falecer em 1995. Foi poeta presencista numa primeira fase; a sua obra abordou temas bucólicos, a angústia da morte, a revolta, temas sociais como a justiça e a liberdade, o amor, e deixou transparecer uma aliança íntima e permanente entre o homem e a terra. Estreou-se com Ansiedades, destacando-se no domínio da poesia com Orfeu Rebelde, Cântico do Homem, bem como através de muitos poemas dispersos pelos dezasseis volumes do seu Diário; na obra de ficção distinguimos A Criação do Mundo, Bichos, Novos Contos da Montanha, entre outros. O Diário ocupa um lugar de grande relevo na sua obra. Também como escritor dramático, publicou três obras intituladas Terra Firme, Mar e O Paraíso. Recebeu o Prémio Camões em 1989 e o prémio Vida Literária (atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores) em 1992.

Marcador do livro Não se pode morar nos olhos de um gato


Marcador que vinha com o livro Não se pode morar nos olhos de um gato de Ana Margarida Carvalho.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Valério Romão - Autismo

Dedicatória e autografo que o Valério Romão teve a amabilidade de me dar no livro Autismo
SINOPSE
Trata-se da primeira abordagem literária de um tema que toca cada vez mais gente em Portugal. Este primeiro romance do Valério Romão dá-nos a experimentar, de um modo nunca óbvio, o impacto devastador da doença na família, mas também faz um retrato impiedoso da comunidade médica além de abordar, sempre de um modo fortemente literário, as inúmeras consequências do autismo. O romance, com um final inesperado, afirma-se como reflexão dinâmica e até aventurosa sobre a solidão, a impossibilidade de comunicar e o desespero…
«Eu acho que o Henrique é faltava só uma palavra, era o parto ao contrário, já tinha saído o corpo todo e faltava unicamente a cabeça da frase, o cérebro da frase, o complemento que dava o significado integral à frase e Rogério, como um carro que desaprendesse de arrancar à primeira, soluçava num martírio solitário as sílabas até que a frase, gradualmente, fosse na cabeça só som, perdesse o contorno do significado e fosse apenas a música aleatória que as consoantes fazem quando se acasalam com algumas vogais selectivas e Marta, do seu lado, esperava pelo fim da frase com os pés bem calcados no soalho do carro, com as mãos a agarrarem os estofos com a força possível, como todo o corpo eriçado como um gato a quem quisessem tirar da caixa no veterinário. O Henrique, Marta, eu acho que ele é autista.»
Um livro editado pela Abysmo em abril de 2012 e com magnificas ilustrações de Alex Gozblau 





Valério Romão numa sessão literária na livraria A das Artes em Sines com o livreiro e amigo Joaquim Gonçalves.

Eu com o Valério Romão.

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