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sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

LIVRARIA SENÉN - Ávila



Livraria Senén, uma das mais antigas livrarias de Ávila situada nas arcadas da Plaza de Santa Teresa mesmo no centro histórico desta cidade espanhola e que eu tive o prazer de visitar. 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

ANTÓNIO LOBO ANTUNES – Caminho Como Uma Casa em Chamas

Tive o grande prazer de receber mais um livro oferecido pelo meu amigo António Neves de Carvalho que ao desfazer-se de alguns livros da sua biblioteca vai generosamente contribuindo para o aumento substancial da minha modesta biblioteca. Este livro vinha com dedicatória que aqui partilho por achar interessante e da qual estou completamente de acordo, certos livros do ALA principalmente as ultimas “fornalhas” são difíceis de digerir, mesmo assim vou fazer os possíveis por o ler na totalidade e não ficar vencido por exaustão como o meu amigo ficou.



Oliveira
Honestamente afirmo que me esforcei em progredir na leitura desta última obra do ALA mas, precisamente na pag. 61, tive que reconhecer que estava vencido por exaustão. Desisti.
Ofereço-lhe o livro (se o quiser receber, claro) na esperança de que o desfrute com prazer. Se não, faça como eu: dê-o a outro.
Abraço,
A.N.Carvalho





Caminho Como Uma Casa em Chamas - LOBO ANTUNES, ANTÓNIO


O livro toma como base um prédio algures em Lisboa e as «histórias» das pessoas que nele vivem, mas este é apenas um pretexto para António Lobo Antunes nos maravilhar com a sua escrita única e a sua descida cada vez mais fundo ao que de mais íntimo há em cada um de nós.

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa em 1942 e licenciou-se em Medicina pela Universidade de Lisboa em 1969. Combateu em Angola de 1971 a 1973. 
Depois da publicação de Memória de Elefante e Os Cus de Judas, ambos em 1979, António Lobo Antunes tornou-se um dos escritores portugueses mais lidos, traduzidos e premiados em todo o mundo. Em 2005 foi distinguido com um dos mais importantes prémios literários do mundo: o Prémio Jerusalém. Em 2007 recebeu o Prémio Camões, o mais importante prémio literário de língua portuguesa.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

LIVROS LIDOS EM 2014





Os livros lidos em 2014, um ano bem produtivo em leituras, nada mais do que 57 livros.

Aqui vai a lista de livros que “devorei” o ano passado pela ordem que foram lidos:

01 – Mistérios de Lisboa – Camilo Castelo Branco
02 – Um Milionário em Lisboa – José Rodrigues dos Santos
03 – Madrugada Suja – Miguel Sousa Tavares
04 – Memórias Póstumas de Brás Cubas – Machado de Assis
05 – São Paulo – Teixeira de Pascoaes
06 – Em Nome da Terra – Vergílio Ferreira
07 – Manhã Submersa – Vergílio Ferreira
08 – O Elixir da Longa Vida – Balzac
09 – Viagem ao País de Amanhã – Hermann Hesse
10 – Lavagante – José Cardoso Pires
11 – Wenceslau de Moraes o Diplomata – Luís Gonzaga
12 – Manual do Caminheiro – Jean-Claude
13 – O Anjo Literário – Eduardo Halfon
14 – O Leopardo – Guieppe di Lampedusa
15 – O Escândalo Modigliani – Ken Follett
16 – Histórias de Amor – José Cardoso Pires
17 – Noites Brancas – Fiodor Dostoievski
18 – O Ensino no Japão – Wenceslau de Moraes
19 – Gaibéus – Alves Redol
20 – As Paixões de Camilo Vol I– Camilo Castelo Branco
21 – As Paixões de Camilo Vol II – Camilo Castelo Branco
22 – A Grande Mudança – Steven Greenblatt
23 – Quando os Lobos Uivam – Aquilino Ribeiro
24 – Paisagem da China e Japão – Wenceslau de Moraes
25 – Para Onde Vão os Guarda Chuvas – Afonso Cruz
26 – Bibliotecas Cheias de Fantasmas – Jaques Bonnet
27 – A Missão – Ferreira de Castro
28 – O Livro Negro do Padre Dinis – Camilo Castelo Branco
29 – Na Tua Face – Vergílio Ferreira
30 – O Aleph – Jorge Luís Borges
31 – E a Noite Roda – Alexandra Lucas Coelho
32 – A Árvore das Palavras – Teolinda Gersão
33 – A Casa Comboio – Raquel Ochoa
34 – Ao Contrário das Ondas – Urbano Tavares Rodrigues
35 – Vai Brasil – Alexandra Lucas Coelho
36 – O Outono do Patriarca – Gabriel Garcia Marquez
37 – A Descoberta do Mundo – Clarice Lispector
38 – Aqui nos encontramos – John Berger
39 – O Pecado de Porto Negro – Norberto Morais
40 – Agosto Azul – Manuel Teixeira Gomes
41 – Eurico o Presbítero – Alexandre Herculano
42 – O Silêncio – Teolinda Gersão
43 – Emigrantes – Ferreira de Castro
44 – A Selva – Ferreira de Castro
45 – Terra Fria – Ferreira de castro
46 – Prazer e Glória – Agustina Bessa-Luís
47 – Mil Novecentos e Setenta e Cinco – Tiago Patrício
48 – O Horizonte – Patrick Modiano
49 – Amantes e Inimigos – Rosa Montero
50 – A Filha do Canibal – Rosa Montero
51 – Gente de Dublin – James Joyce
52 – O Dia dos Prodígios – Lídia Jorge
53 – As Ondas – Virgínia Woolf
54 – O Meu Amante de Domingo – Alexandra Lucas Coelho
55 – Peter Carmenzind – Hermann Hesse
56 – Demian – Hermann Hesse
57 – O Lobo das Estepes – Hermann Hesse






segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

LIVROS III

A minha pequena pilha de livros para ler em 2015 e que me foram oferecidos por familiares neste último Natal.


1 – Galveias de José Luís Peixoto (já lido e que recomendo)
2 – Noites Brancas  de Fiódor Dostoiévski
3 – Em Nome da Terra de Vergílio Ferreira
4 – Manhã Submersa de Vergílio Ferreira
5 – Hadji-Murat de Leo Tolstoy
6 – Alabardas de José Saramago
7 – O meu Irmão de Afonso Cabral
8 – O Pintassilgo de Donna Tartt
9 – Enquanto Lisboa Arde O Rio de Janeiro Pega Fogo de Hugo Gonçalves
10 – O que fazem Mulheres de Camilo Castelo Branco
11 – Contos de Eça de Queirós
12 – Prometo Falhar de Pedro Chagas Freitas

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

LIVROS II


Livros para todos os gostos e para leitores de todas as idades, foi na Feira do Livro de Setúbal 2014, mesmo no centro da cidade num espaço nobre a Avenida Luísa Todi. O certame, que decorreu no interior de uma tenda, regressou à cidade para um mês de actividade que incluiu a realização de eventos especiais, como animações para os mais novos, encontros com autores e sessões de autógrafos.

A feira apresentou livros de várias editoras e de diferentes temas, desde o romance, ao livro técnico, passando também pela literatura infanto-juvenil.
Esperemos que este ano a Feira do Livro cresça e traga consigo um pavilhão maior e mais espaçoso.




segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Biblioteca Municipal de Sines


Aberta desde 20 de Agosto de 2005, a Biblioteca Municipal de Sines é o equipamento dinamizador das actividades ligadas ao livro e à leitura.
Inserida no Centro de Artes de Sines, a Biblioteca é uma estrutura moderna com bons equipamentos. Dispõe também de uma sala de leitura de periódicos, uma sala de reuniões, auditório e gabinetes de trabalho, uma sala multimédia, um sector infantil/juvenil e o sector onde se encontram todos os livros e documentos abertos ao público para pesquisa.


É nesta magnifica biblioteca que me “abasteço” regularmente de livros.






terça-feira, 30 de dezembro de 2014

LIVROS I



O meu cantinho literário no quarto que tenho em Sines, localidade onde trabalho e passo a maior parte do tempo.



quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

JOSÉ LUÍS PEIXOTO - Apresentação e autografos

Apresentação do novo romance "Galveias" com a presença do escritor José Luís Peixoto na Livraria A das Artes em Sines no próximo dia 19 de Dezembro pelas 18.00 horas.  



quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

PEDRO CHAGAS FREITAS - Prometo Falhar




Prometo Falhar é um livro de amor.
O amor dos amantes, o amor dos amigos, o amor da mãe pelo filho, do filho pela mãe, pelo pai, o amor que abala, que toca, que arrebata, que emociona, que descobre e encobre, que fere e cura, que prende e liberta.
O amor.
No seu estilo intimista, quase que sussurrado ao ouvido, Pedro Chagas Freitas leva o leitor aos estratos mais profundos do que sente. E promete não deixar pedra sobre pedra.
Mergulhe de cabeça numa obra que mostra sem margem para equívocos porque é que é possível sair ileso de tudo.
Menos do amor.
Texto: www.wook.pt


«Trinta mil dias a olhar-te, a saber o frio ou o calor do teu corpo, a perceber o que te doía por dentro, a amar cada ruga a mais que ia aparecendo. Trinta mil dias de eu e tu, desta casa que um dia dissemos que seria a nossa (que será de uma casa que nos conhece tão bem quando já aqui não estivermos para a ocupar?), das dificuldades e dos anseios, dos nossos meninos a correr pelo corredor, da saudade de nos sabermos sempre a caminho de sermos só nós. Trinta mil dias em que tudo mudou e nada nos mudou, das tuas lágrimas tão bonitas e tão tristes, das poucas vezes em que a vida nos obrigou a esperar. Trinta mil dias, minha velha resmungona e adorável. Eu e tu e o mundo, e todos os velhos que um dia conhecemos já se foram com a velhice. Nós ainda aqui estamos, trinta mil dias depois, juntos como sempre. Juntos para sempre. Trinta mil dias em que desaprendi tanta coisa, meu amor. Menos a amar-te.»

«Trazes o relógio azul que te dei pelo aniversário e a promessa de um beijo, é o que basta para te abrir os braços e te convidar para debaixo dos lençóis, há tanto frio em mim quando não estás, já fechei as janelas e os olhos e não há maneira de adormecer, ouve-se a cidade cheia de pessoas e nenhum és tu, Deus acontece pela diferença, e pela maneira como quando chegas me sorris e me pedes perdão por mais um atraso, o escritório e reuniões, quase dez segundos até que sem falar te diga para vires e te abraçar por dentro, há só uma vida e és tão inacabável em mim.»



Na livraria Bertrand em Setúbal, Pedro Chagas Freitas autografando o meu livro Prometo Falhar.



terça-feira, 25 de novembro de 2014

TIAGO PATRÍCIO - Mil Novecentos e Setenta e Cinco








Mil Novecentos e Setenta e Cinco


Uma viagem improvável a uma aldeia imaginária do nordeste transmontano no ano de viragem de 1975, representada num romance por várias personagens que tentam recuperar formas de vida que estão a desaparecer, em contraste com um novo mundo que se impõe.

É um romance onde cabe tudo: amores tardios, mortes adiadas, fugas e regressos triunfais, infidelidades descobertas dentro de armários, alfaiates e coveiros desempregados, mulheres que lavam no ribeiro e rapazes que as espreitam, ferroviários, comerciantes e todos os deserdados e perseguidos que tentam subir as escadas dos antigos e novos proprietários. 

Nesta viagem pelas longas paisagens transmontanas, entrecortadas por desvios súbitos e perigosos, tal como as antigas linhas de via estreita da região, o leitor é conduzido pela mão de personagens que insultam e provocam gargalhadas na mesma frase, com um humor contagiante, que varia entre a temperança e a exaltação. 

Leitura imperdível, de um autor vencedor do prémio Agustina Bessa-Luís, na qual se reconhecem as palavras de Miguel Torga: "O universo é o sem muros".





O escritor Tiago Patrício esteve na Livraria A das Artes em Sines no passado dia 04 de Outubro onde apresentou a sua obra numa conversa muito animada para uma audiência atenta e participativa. 

Biografia


Viveu em Trás-os-Montes até aos 19 anos e depois de tentar, sem sucesso, entrar para a faculdade de Medicina, seguiu a tradição da família e foi para a Escola Naval. No entanto, acabou por abandonar a carreira na Marinha para se formar em Farmácia, em 2007 .

Em 2000, começou a trabalhar em teatro, tendo sido um dos fundadores do Grupo Com-Siso. Também escreveu peças para as companhias Teatromosca (Sintra), Estaca Zero e Ponto Teatro (Porto) .

Os seus primeiros poemas e contos foram publicados entre 2007 e 2010, nas colectâneas Jovens Escritores do Clube Português de Artes e Ideias.

Venceu os prémios Daniel Faria e Natércia Freire de poesia. A sua peça Checoslováquia recebeu menção honrosa no prémio António José da Silva. O seu primeiro romance, Trás-os-Montes, que começou a escrever aos 19 anos, ganhou o Prémio Agustina Bessa-Luís em 2011.

Estuda Literatura e Filosofia na Universidade de Lisboa.
Fez residências literárias na Tunísia, Turquia, Lituânia, Letónia, Espanha e Estados Unidos da América.
Alguns dos seus textos estão publicados em França, Egipto, Eslovénia e República Checa.


sábado, 22 de novembro de 2014

URBANO TAVARES RODRIGUES - Ao Contrário das Ondas





Depois de ter levantado o livro Ao Contrário das Ondas na Biblioteca de Sines, Biblioteca que eu frequento com muita assiduidade e prazer, tive a surpresa e alegria de o livro estar autografado pelo autor.

Ao Contrário das Ondas

Livro em torno de dois homens e uma mulher, um retrato irónico e sensual da nossa e actual sociedade.

Em cada uma das quatro partes deste romance, uma personagem se desnuda ou tenta fazê-lo até aos limites do possível, e uma sociedade consumista, hedonista e angustiada vai surgindo em seu redor.
No entanto persiste em algumas dessas personagens, cuja história de vida passou pelas grandes transformações do 25 de Abril, um conflito interior entre ideias e ambições.
Assistimos a separações, novas ligações e frustrações de vária ordem e a conflitos de geração.
Perto do final, uma decisão do governo sobre privatização de justiça vem alterar o comportamento de várias personagens.

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

LIVROS LIDOS EM 2013

A pedido de alguns amigos, aqui vai a minha lista de livros que eu li em 2013, nada mais, nada menos do que 29 livros, pouco mais de dois livros por mês, já não é mau.


01 - Tiago Veiga Uma Biografia - Mário Cláudio
02 - Suão - Vítor Encarnação
03 - A Máquina de fazer Espanhóis - Valter Hugo Mãe
04 - O Homem Duplicado - José Saramago
05 - Divórcio em Buda - Sándor Márai
06 - Levantados do Chão - José Saramago
07 - Nenhum Caminho Será Longo - José Tolentino de Mendonça
08 - Dom Quixote De La Mancha - Miguel Servantes
09 - A Ilha - Sándor Márai
10 - A Cidade de Ulisses - Teolinda Gersão
11 - Paris É Uma Festa - Ernest Hemingway
12 - O Império Dos Homens Bons - Tiago Rebelo
13 - Quando Os Bobos Uivam - Onesimo Teotónio Almeida
14 - Em Terras Estranhas - Somerset Maugman
15 - Eugénia Grandet - Balzac
16 - O Inverno Do Nosso Descontentamento - John Steinbeck
17 - A Casa Grande De Romarigães - Aquilino Ribeiro
18 - Viagens E Outras Viagens - António Tabucchi
19 - A Cruz De Santo André - Camilo José Cela
20 - Mau Tempo No Canal - Vitorino Nemésio
21 - Se Uma Noite De Inverno Um Viajante - Italo Calvino
22 - Estrada Para Los Angeles - John Fante
23 - Anátema - Camilo Castelo Branco
24 - Amor De Predição - Camilo Castelo Branco
25 - Romance Dum Homem Rico - Camilo Castelo Branco
26 - Vingança - Camilo Castelo Branco
27 - Onde está a Felicidade - Camilo Castelo Branco
28 - Mistérios de Lisboa I - Camilo Castelo Branco
 29 - Mistérios de Lisboa II - Camilo Castelo Branco






sábado, 13 de novembro de 2010

MIGUEL DE CASTRO HENRIQUES - O Sopro das Vozes

Dedicatória e autografo do amigo e escritor Miguel Henriques 


O SOPRO DAS VOZES

TEXTOS DE ÍNDIOS AMERICANOS

Na passagem de milénio o princípio de interconectividade (no sentido de Italo Calvino) pode-nos ajudar a mudar do cenário pós "Aldeia Global" para um Cosmopolitismo Global, de culturas diferenciadas, mutuamente redescobrindo as suas tradições e em estado de Renascimento: o estado de abertura. Na abertura mútua, interconectiva, entre culturas, a filosofia e a sabedoria do Índio podem-nos enriquecer muito: a sua relação de amor e veneração pela mãe Terra, o código e etiqueta da sua vida de caçador e guerreiro (semelhante ao das vias do guerreiro zen), o seu ecologismo espontâneo, o seu espírito comunitário e colectivo, democrático, tolerante; o respeito pelos mais velhos e a protecção e tempo que confere às crianças, a sua atitude de não competitividade, a importância que dá à dança, podem-nos ensinar a dar novos passos para um outro e novo entendimento das coisas.

=========================

Nesta pequena colectânea de textos índios, que esperamos venha a ser um ponto de partida para que o leitor se sinta motivado a aprofundar o assunto, em primeiro lugar reunimos textos provindos da tradição oral de diversas tribos (como os Pequot, Nez Percé, Algonquinos, Tlingit, Sioux, Hopi e outros) e recolhidos no virar do século passado e no dealbar deste por etnólogos americanos. Trata-se de textos que nos falam da Criação do Mundo. Estamos perante uma linguagem que não é certamente a das ciências exactas, antes a do Mito e das lendas, e como tal nos falam na linguagem da revelação: a simbólica."

Miguel Castro Henriques (excerto do prefácio)




sábado, 1 de maio de 2010

RESENDES VENTURA - Papel a Mais






Desenhos de Resendes Ventura
SETÚBAL
Guardo uma noite de estrelas
para ver entre castelos
Setúbal em dois caminhos

Encruzilhando os destinos
Setúbal com dois caminhos
o mar e a terra cruzou
.
Setúbal para dois caminhos
levou-me os olhos à serra
e a distância convocou

Redonda a mão na laranja
a outra em concha tem sal
e dois caminhos Setúbal.
LIVROS

…teca! Biblioteca!
Biblioteca livro a ser
Branca folha envelhecida
Em que o mundo se recria.
Sol e sombra do silêncio.
Respira do meu compasso
De amparar o que já sei
Ignorando que o sabia,
De aprender a encontrar
Entre palha o grão antigo
Sem meu digo e com meu digo.
Livro …teca! Biblioteca!
Livro a ser a Biblioteca!
Biblioteca ….teca ….teca!
Biblioteca!

IMENSIDÃO
Poema Arrabidino
Teu canto
sem princípio e sem fim:
todas as coisas existindo
para além de si mesmas.
.
Um sol no alto quase a pino
dando à luz um repouso
nas sombras das ramagens
sob os verdes entre os verdes sobre o chão.
.
Teu silêncio
diante de um espelho que te dá
em imagem do mundo
o sonho que trazias.
.
Em sobreviver!
quem virá esta esperança redimir
de ter amado tanto o impossível?

Pouco! Muito pouco sempre um homem
sulcando espaços infinitos
na vastidão imensa dos destinos!

Por isso enquanto
a teia de tudo obedecer
à lei do movimento em que respiras
teu canto há-de ser em ti a vida.

Sem fim. E mesmo sem princípio.



Resendes Ventura
Manuel Pereira Medeiros


Papel a Mais

Este livro oferece-nos, simultaneamente, ensaio e literatura.
Ensaio, porque o livreiro Manuel Medeiros deci­diu dizer o que pensa acerca da situação actual do mercado do livro, sem deixar de falar das políticas de incentivo à leitura e dos diversos agentes que fazem desta actividade um negócio e ou uma paixão. A sua experiência de largas dezenas de anos ― convivendo com autores, editores e distribuidores ― é assim posta ao serviço de uma reflexão que ao correr da pena vai descobrindo feridas e apontando caminhos.
Literatura, porque o escritor Resendes Ventura (afinal, o livreiro Manuel Medeiros) publica nesta obra uma extensa colectânea de folhas em prosa e poesia, fazendo-se aliás acompanhar por notá­veis companheiros de escrita que fizeram questão de partici­par, com textos que nunca lemos, home­na­geando o autor.

INCLUI TEXTOS INÉDITOS DOS ESCRITORES:
MATILDE ROSA ARAÚJO, TERESA RITA LOPES, MARIA ALBERTA MENÉRES, LUÍSA DUCLA SOARES, SILVA DUARTE, AVELINO DE SOUSA, URBANO TAVARES RODRIGUES, EDUÍNO DE JESUS, URBANO BETTENCOURT, ONÉSIMO TEOTÓNIO ALMEIDA, ARMANDO CÔRTES-RODRIGUES, MARIA DE LOURDES BELCHIOR, FAUSTO LOPO DE CARVALHO, SEBASTIÃO DA GAMA
E UMA ILUSTRAÇÃO INÉDITA DE JOSÉ RUY

SOBRE O AUTOR:
Resendes Ventura é o nome literário de Manuel Pereira Medeiros, que o criou para a sua escrita quando em 1968 saiu dos Açores, onde assinava como Manuel Pereira. Nasceu a 14 de Janeiro de 1936 na freguesia de Água Retorta, concelho de Povoação, na ilha de São Miguel, e reside em Setúbal desde 1970, onde continua a trabalhar na livraria que fundou, a Culsete, um dos pólos culturais relevantes da cidade de Setúbal.
Tem escrito inúmeros artigos, dispersos por jornais e revistas, e tem colaborado com diversas estações de rádio onde já manteve rubricas sobre livros. É autor de prefácios, textos de divulgação e alguns de polémica, num exercício consciente de cidadania.
Tem diversas obras publicadas e está representado nas seguintes antologias: Antologia Poética dos Açores (Angra do Heroísmo, 1979), Setúbal Terra de Poetas e Cantadores (Setúbal, 2001), A Serra da Arrábida na Poesia Portu­guesa (Setúbal, 2002).

Esta obra foi publicada com o apoio da Presidência do Governo dos Açores.

sábado, 10 de abril de 2010

MIA COUTO - Venenos de Deus Remédios do Diábo



Venenos de Deus Remédios do Diabo
O jovem médico português Sidónio Rosa, perdido de amores pela mulata moçambicana Deolinda, que conheceu em Lisboa num congresso médico, deslocou-se como cooperante para Moçambique em busca da sua amada. Em Vila Cacimba, onde encontra os pais dela, espera pacientemente que ela regresse do estágio que está a frequentar algures. Mas regressará ela algum dia?
Entretanto vão-se-lhe revelando, por entre a névoa que a cobre, os segredos e mistérios, as histórias não contadas de Vila Cacimba — a família dos Sozinhos, Munda e Bartolomeu, o velho marinheiro, o administrador, Suacelência e sua Esposinha, a misteriosa mensageira do vestido cinzento espalhando as flores do esquecimento.
“Editorial Caminho”
………………………
Mia Couto - Biografia
Mia Couto nasceu na Cidade da Beira (Moçambique) em 1955, filho de uma família de emigrantes portugueses. Publicou os primeiros poemas no "Notícias da Beira", com 14 anos. Em 1972, deixou a Beira e partiu para Lourenço Marques para estudar Medicina. A partir de 1974, começou a fazer jornalismo, tal como o pai. Com a independência de Moçambique, tornou-se director da Agência de Informação de Moçambique (AIM). Dirigiu também a revista semanal "Tempo" e o jornal "Notícias de Maputo".
Em 1985 formou-se em Biologia pela Universidade Eduardo Mondlane. Foi também durante os anos 80 que publicou os primeiros livros de contos. Estreou-se com um livro de poemas, "Raiz de Orvalho" (1983), só publicado em Portugal em 1999. Depois, dois livros de contos: "Vozes anoitecidas" (1986) e "Cada Homem é uma Raça" (1990).Em 1992 publicou o seu primeiro romance, "Terra Sonâmbula". A partir de então, apesar de conciliar as profissões de biólogo e professor, nunca mais deixou a escrita e tornou-se um dos nomes moçambicanos mais traduzidos: espanhol, francês, italiano, alemão, sueco, norueguês e holandês são algumas línguas. Outros livros do autor: "Estórias Abensonhadas" (1994); "A Varanda do Frangipani" (1996); "Vinte e Zinco" (1999); "Contos do Nascer da Terra" (1997); "Mar me quer" (2000); "Na Berma de Nenhuma Estrada e outros contos" (2001); "O Gato e o Escuro" (2001); "O Último Voo do Flamingo" (2000); "Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra" (2002). "O Fio das Missangas" (2004) é o seu último livro de contos.
Em 1999 foi vencedor do prémio Vergílio Ferreira pelo conjunto da obra, um dos mais conceituados prémios literários portugueses, no valor cinco mil euros, que já premiou Maria Velho da Costa, Maria Judite de Carvalho e Eduardo Lourenço, entre outros. Em 2001, recebeu também o Prémio Literário Mário António (que distingue obras e autores dos países africanos lusófonos e de Timor-Leste) atribuído pela Fundação Calouste Gulbenkian por "O Último Voo do Flamingo" (2000).





domingo, 4 de abril de 2010

JOSÉ LUÍS PEIXOTO - Cemitério de Pianos




José Luís Peixoto oferece-nos um texto mágico, no qual se cruzam, numa interacção fluida, diálogos cúmplices com a grande tradição da literatura portuguesa e universal.
Um romance que começa com uma narrativa simples e linear mas que aos poucos se torna cada vez mais complexa, resultado de um puzzle de imensos pedaços de texto em que cada um foca uma determinada situação temporal que é por sua vez relatada por personagens distintos, num encadeamento de saltos cronológicos para trás e para a frente, onde a história de um dos personagens principais e aparente autor/narrador do livro se confunde com a história do seu neto, estando a base do romance centrada na história do seu filho Francisco Lázaro, corredor da maratona dos Jogos Olímpicos de 1912 (onde falece no decorrer da mesma), e dos seus outros três filhos, Marta, Maria e Simão. O leitor fica preso a um enredo onde constantemente se questiona se determinado personagem se trata do avô ou do neto, encontrando um nó cego com provas de ambas as condições sem que tais se contradigam de forma absoluta, estando a chave do labirinto narrativo na oficina da família que alberga um cemitério de pianos que constantemente são usados para reparação e reconstrução de outros pianos, metáfora que dá corpo a uma história de três gerações onde todos os personagens se reconstroem uns nos outros, e onde cada um dá uma perspectiva diferente da sua própria história, sendo denominador comum os amores idealizados e as frustrações concretizadas, num misto de ternos momentos de felicidade e tragédias cruéis, símbolos de vidas comuns com um quotidiano monótono mas onde as expectativas e realizações de cada um lhe dão cores vivas e diferentes, matizadas de forma poética pelo escritor deste romance.

Misturando factos a partir de pontos de vista de cada personagem com alguns momentos de fantasia e irrealidade, o relato de um morto acerca dos momentos de antes e de depois da sua morte, dos relatos de vida do seu filho também morto até ao momento da sua morte, as sentenças duras da neta de três anos em dois diálogos adultos com o espírito do avô, colocando em perspectiva a idílica visão do avô acerca da sua vida e a contrastante dura visão que os seus familiares tinham acerca dele. Com violentos e duros momentos que marcam a vida dos seus filhos, sobressaem os eternos laços de sentimentos que os unem e que geram momentos aparentemente vulgares mas plenos de significação emotiva que adjectivam e dão sentido às suas aparentemente vazias existências.

O livro deixa o leitor em suspenso e curioso até ao seu final devido aos constantes episódios partidos que pedem continuação e fecho, oferecendo momentos de morte que coincidem com momentos de nascimento, histórias de amor, de desilusão, de traições, de ambições e de acomodação, em pequenas peças que se vão montando de forma difusa e labiríntica, juntando-se num todo tornado consistente até final do livro, numa orquestração subtil e bem encadeada que não alcança mais que aquilo que promete de início, consolidando uma talvez triste história de vidas desperdiçadas, mas que comove e deixa uma ideia de vidas realizadas com muitos momentos de terna eternidade completados com a esperança do devir que afinal sempre repete.


Como nota de rodapé, o interessante trabalho biográfico efectuado em torno da pessoa real que foi o atleta Francisco Lázaro, e da temática dos pianos e da sua sonoridade como alicerces de uma analogia entre as os delicados mecanismos físicos e a beleza pura do som que se pode obter deles, com a fragilidade e diversidade de sentimentos e sensações do ser humano, reparáveis e reconstruíveis.
JOSÉ LUÍS PEIXOTO - Biografia
Licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (variante Inglês e Alemão), pela Universidade Nova de Lisboa, foi professor em vários pontos do país e em Cabo Verde.

Actualmen
te trabalha como jornalista e crítico literário em vários jornais e tem colaborado, com textos de ficção, em revistas literárias. Entre outros textos seus que têm sido encenados, fez o guião para um vídeo do músico rap Sam the Kid e o libreto para uma ópera para crianças baseada no mito de Orpheu e Eurídice, encenada pela companhia teatral Útero.

Começou a publicar prosa e poesia no suplemento «DN Jovem», do jornal Diário de Notícias, tendo sido vencedor do Prémio Jovens Criadores do Instituto Português da Juventude em 1997, 1998 e 2000. Alguns desses poemas foram publicados posteriormente nos cadernos Átis e reunidos no volume A criança em ruínas (2001).

Nenhum olhar, publicado no ano 2000, o primeiro romance de José Luís Peixoto, foi imediatamente saudado como uma grande obra de estreia: venceu o Prémio Literário José Saramago e foi seleccionado para dois dos mais conceituados prémios literários: o Grande Prémio de Romance e Novela da A.P.E. e o Prémio de Ficção do PEN Clube Português. Blank gaze (na tradução inglesa) foi incluído na lista dos melhores livros de ficção publicados no Reino Unido em 2007 do jornal britânico Financial Times.

Está publicado em mais de dez línguas.

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